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12 de outubro de 2026 · 8 min de leitura
Desde maio de 2025, seguro viagem é obrigatório na Argentina. Veja qual cobertura contratar para trekking na Patagônia e em Huaraz e o que os planos básicos
O seguro viagem para a Patagônia deixou de ser um detalhe de burocracia em maio de 2025. Pelo Decreto 366/2025, a Argentina passou a exigir comprovante de seguro válido de todos os estrangeiros na entrada do país, brasileiros incluídos, por qualquer modal de transporte. Sem a apólice, impressa ou no celular, a imigração pode negar a entrada. Companhias aéreas também podem solicitar o documento ainda no check-in, antes do embarque. O país tinha motivo concreto para a medida: em 2024, gastou mais de 114 bilhões de pesos argentinos, equivalentes a cerca de R$ 57 milhões, com atendimentos médicos prestados a turistas estrangeiros.
Mas a obrigatoriedade legal é só a camada mais superficial do assunto. Quando a conversa é trekking em montanha, o seguro se torna, acima de tudo, uma decisão de gestão de risco. Em regiões remotas como El Chaltén e nas quebradas de Huaraz, os custos de uma emergência séria chegam a valores que nenhum viajante cobre do próprio bolso sem dano financeiro significativo. Este guia explica o que o decreto exige, qual cobertura faz sentido para cada destino e o que os planos básicos costumam deixar de fora.

O Decreto 366/2025 entrou em vigor em 29 de maio de 2025 e vale para qualquer estrangeiro que ingresse na Argentina, independentemente da nacionalidade ou do meio de transporte. O texto não estabelece um valor mínimo fixo em dólares, mas determina que a apólice cubra despesas médicas por todo o período da estadia e que o comprovante esteja disponível na entrada. Sem o documento, a imigração pode negar a entrada no país.
Na prática, o decreto resolveu um problema antigo: turistas chegavam sem cobertura e oneravam o sistema público argentino. Os números de 2024 mostram a dimensão real disso. Para quem vai à Patagônia ou aos Andes peruanos, o cenário é ainda mais crítico: a infraestrutura médica nas áreas de trilha é escassa, e qualquer emergência séria exige transporte até um centro de referência que pode estar a centenas de quilômetros.
A apólice precisa ter, no mínimo:
Apólice digital no celular é aceita. Recomenda-se também uma versão impressa como backup, especialmente em destinos com sinal de dados instável.
Um estudo de 9 anos com 5.665 vítimas em trilhas dos Alpes austríacos mostra que 75,3% das quedas acontecem na descida, e 80,9% ocorrem em trilha marcada, não fora da rota. A lesão mais comum é no tornozelo ou pé, respondendo por 37,8% a 42,4% dos casos. A idade média das vítimas de queda é 56 anos, exatamente a faixa de quem mais viaja à Patagônia. E a fadiga reportada era baixa no momento do acidente: a queda vem antes de a pessoa se sentir cansada.
Em El Chaltén e nas quebradas de Huaraz, uma torção de tornozelo em trilha distante pode significar horas de carregamento manual até o ponto de acesso veicular mais próximo. Um caso mais grave, como hipotermia severa, trauma por queda ou edema pulmonar de altitude (HAPE), pode exigir evacuação aérea. Segundo fontes especializadas em roteiros na Cordilheira dos Andes, um atendimento de emergência local pode ultrapassar USD 5.000, e a evacuação médica aérea em terreno remoto pode ultrapassar USD 100.000.
Os riscos não são hipotéticos. A Patagônia combina frio, vento, chuva e terreno de descida técnico. Huaraz adiciona altitude: a partir de cerca de 3.050m, a saturação de oxigênio no sangue cai para 88 a 91%. A prevalência de Mal Agudo de Montanha (AMS) em trekking até aproximadamente 5.400m chega a 30%. O HAPE, edema pulmonar de altitude, ocorre em até 1 em cada 100 trekkers acima de 4.300m e é uma emergência médica que não espera. Em áreas isoladas como El Chaltén, a infraestrutura de resgate é mínima, e até uma desidratação ou torção podem exigir evacuação sem acesso imediato a socorro profissional.

A tabela abaixo consolida o que fontes especializadas em seguros e resgate de montanha recomendam para cada destino do portfólio da Vida na Montanha. Planos básicos de turismo urbano geralmente ficam bem abaixo dessas faixas.
|
Destino |
Altitude máx. |
Cobertura médica mínima recomendada |
Atenção especial |
|---|---|---|---|
|
El Chaltén |
1.546m |
USD 30.000 em despesas médicas; trekking explícito |
Trekking e aventura devem constar na apólice |
|
Ushuaia |
948m |
USD 30.000 em despesas médicas; trekking explícito |
Terreno remoto; trilhas não demarcadas |
|
Bariloche |
Variável |
USD 30.000 em despesas médicas |
Esportes de neve, inverno e trekking cobertos explicitamente |
|
Huaraz |
5.000m |
USD 50.000 ou mais; evacuação aérea se alta montanha |
Verificar limite de altitude do plano; AMS e HAPE são riscos reais |
Para os três destinos argentinos, a cobertura recomendada para trekking em montanha sobe para USD 30.000 em despesas médicas, bem acima da faixa sugerida para viagens urbanas à Argentina em geral. Para Huaraz, onde as trilhas chegam a 5.000m, a apólice precisa incluir evacuação aérea de altitude e não pode ter limite de altitude inferior ao destino.
Este é o ponto que a maioria dos viajantes descobre tarde demais. Itens que planos de turismo padrão costumam deixar de fora:
Antes de contratar qualquer plano, leia as condições gerais e procure as palavras "trekking", "altitude", "aventura" e "evacuação aérea" na lista de coberturas e exclusões. Se não encontrar, peça confirmação à seguradora por escrito antes de fechar.
Quem viaja com a Vida na Montanha não precisa resolver esse ponto separadamente. Todas as quatro expedições incluem seguro viagem e seguro aventura na proposta, sem custo adicional. A cobertura abrange 10 dias nas expedições El Chaltén, Bariloche e Ushuaia, e 12 dias em Huaraz.
Isso resolve tanto a exigência legal do Decreto 366/2025 para a Argentina quanto a cobertura de atividades de montanha que planos básicos frequentemente excluem. Se o participante precisar de extensão de período além dos dias da expedição, basta avisar a equipe com antecedência para calcular a diferença.
Nas expedições em grupo pequeno, sempre 8 pessoas, líderes brasileiros da Vida na Montanha e guias locais credenciados acompanham do início ao fim com kit de primeiros socorros e briefings diários de clima. O guia gerencia a situação em campo. O seguro financia a solução quando necessário. Os dois juntos fecham o ciclo de gestão de risco que qualquer expedição séria precisa ter.
Para quem está planejando uma expedição independente à Patagônia, as recomendações da tabela acima são o ponto de partida. Para quem vai com a Vida na Montanha, esse item já está resolvido desde o momento da inscrição.

Use esta lista para verificar qualquer apólice antes de fechar:
Para aprofundar o preparo antes de qualquer expedição de montanha, o Guia prático de preparação física para trekking trata de periodização específica para o público de 35 a 55 anos. E se Huaraz estiver nos planos, o Guia completo de trilhas na Cordilheira Branca detalha o que esperar de cada dia de caminhada e de aclimatação progressiva.
O seguro viagem para a Patagônia deixou de ser opcional em dois sentidos: legalmente, por exigência argentina desde maio de 2025, e praticamente, porque os custos de emergência em terreno remoto de montanha chegam a valores que nenhum viajante cobre do próprio bolso sem dano financeiro sério. A escolha da apólice certa depende do destino, da altitude e das atividades previstas, e os planos mais baratos quase sempre excluem exatamente o que mais importa em trekking.
Se quiser ver como funciona uma expedição em que seguro viagem, seguro aventura, preparo físico de 4 meses e guias especializados já vêm inclusos, conheça o calendário de saídas no calendário de expedições da Vida na Montanha ou fale com a equipe pelo WhatsApp (+55 11 99695-4968). As próximas saídas para El Chaltén, Ushuaia, Huaraz e Bariloche estão abertas para 2027.
Sim. O Decreto 366/2025, em vigor desde 29 de maio de 2025, exige comprovante de seguro viagem com cobertura médica válida para todo o período da estadia de qualquer estrangeiro, incluindo brasileiros, independentemente do meio de transporte. Sem a apólice, a imigração argentina pode negar a entrada, e companhias aéreas podem solicitar o documento ainda no check-in.
Na maioria dos casos, não. Planos básicos frequentemente excluem atividades de aventura, trekking em montanha e esportes de neve, e alguns têm limites de altitude que deixam destinos como Huaraz (5.000m) completamente descobertos. É preciso verificar explicitamente nas condições gerais da apólice se essas coberturas estão incluídas antes de contratar.
Não precisa contratar separadamente. Todas as quatro expedições da Vida na Montanha já incluem seguro viagem e seguro aventura, sem custo adicional: 10 dias de cobertura para El Chaltén, Bariloche e Ushuaia, e 12 dias para Huaraz. Isso atende tanto à exigência legal argentina quanto à cobertura de atividades de montanha que planos básicos costumam excluir.
Depende do plano contratado. A evacuação médica aérea costuma ser uma cobertura separada ou ter sublimites próprios, e muitos planos básicos não a incluem ou cobrem apenas uma fração do custo real de uma operação em terreno remoto. Para destinos como Huaraz e El Chaltén, verifique explicitamente com a seguradora se a apólice cobre evacuação aérea e qual é o limite máximo.
Os riscos incluem quedas (75,3% ocorrem na descida, segundo estudo de 9 anos com 5.665 vítimas em trilhas), hipotermia, torções de tornozelo e, em Huaraz, mal agudo de montanha com prevalência de cerca de 30% em trekking até 5.400m. Em áreas remotas como El Chaltén, a infraestrutura de resgate é mínima e qualquer emergência pode exigir transporte longo até um hospital de referência.

Sobre o autor
Fundador | Vida na Montanha
Fundador da Vida na Montanha. Em 2022 deixou a vida corporativa para criar uma empresa de expedições com propósito, focada em transformação pessoal e em conexões humanas genuínas na montanha. Hoje lidera os roteiros pela Patagônia, Andes peruanos e Brasil.
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Pronto para a próxima trilha?
Não necessariamente. Alguns planos estabelecem limite máximo de altitude coberta, como 3.000m, o que deixa Huaraz completamente fora da cobertura. Antes de contratar, localize o item de limite de altitude nas condições gerais e confirme por escrito com a seguradora que trekking acima de 5.000m está incluído.